Após 19 anos, o ICOM Brasil retornou a Recife para realizar a 6ª edição de seu Encontro Nacional. Promovido entre os dias 26 e 28 de abril de 2026, em parceria com o Instituto Ricardo Brennand, o evento reuniu mais de 300 participantes de diferentes regiões do país — entre membros da instituição, especialistas, pesquisadores, estudantes do campo museal e representantes da sociedade civil — em um amplo debate sobre o papel dos museus no cenário contemporâneo. A programação contou com transmissão parcial via Zoom e interpretação em Libras.

Museus, Memórias e Direitos em um Mundo Dividido

Alinhado ao tema do Dia Internacional dos Museus de 2026 — “Museus Unindo um Mundo Dividido” —, o encontro propôs reflexões sobre o papel dos museus diante de um cenário marcado por profundas divisões sociais, políticas e culturais. As discussões também dialogaram com o contexto brasileiro de defesa da democracia, da garantia de direitos já conquistados e do reconhecimento de direitos ainda em disputa.

De olho na programação… 

Com o salão do Instituto Ricardo Brennand lotado, a mesa de abertura teve início às 10h, reunindo representantes dos setores museal, acadêmico e cultural. Participaram da cerimônia Antonio Rodríguez, presidente do ICOM; Diego Bevilaqua, presidente do ICOM Brasil; Fernanda Castro, presidenta do Ibram; Julio Cesar Sampaio, vice-presidente do ICOMOS Brasil; Mariana Brayner, pró-reitora de Cultura da UFPE; Nara Galvão, diretora do Instituto RB; e Priscila Brennand, conselheira do Instituto RB.

Na sequência, a programação do encontro seguiu com conferências, mesas e debates.

O primeiro dia (26/04) foi dedicado a discussões sobre patrimônio cultural, mudanças climáticas e repatriação de bens culturais.

Para Bruno Brulon, o encontro representou um marco para o campo museal brasileiro:

“Considero este um encontro histórico. Não apenas por ter superado as expectativas de público para um evento de comitê nacional na América Latina, mas, sobretudo, pela relevância das temáticas debatidas. Em um contexto global marcado por violações de direitos humanos, apagamentos da diversidade e processos de exclusão também reproduzidos no campo do patrimônio, o ICOM Brasil abre espaço para a reflexão dessas questões no cenário nacional, promovendo, após 19 anos, a retomada de um amplo debate com a comunidade museal brasileira.” – disse Bruno Brulon

Ainda no primeiro dia, os participantes foram convidados para uma visita mediada ao acervo e às instalações do Instituto Ricardo Brennand.

Já o segundo dia (27/04) foi marcado pelas ações descentralizadas, realizadas em diferentes espaços culturais da região: Museu da Abolição, Museu do Estado de Pernambuco, Museu do Homem do Nordeste, Oficina Francisco Brennand e Paço do Frevo. Coordenadas pela Comissão Científica do evento, as rodas de conversa temáticas reuniram mais de 160 apresentações de trabalhos. Ao final das atividades, participantes e ouvintes também puderam realizar visitas técnicas aos espaços que sediaram os debates.

No último dia do encontro (28/04), a programação seguiu na parte da manhã com dois painéis voltados às perspectivas antirracistas e decoloniais em museus, além de debates sobre democracia e sítios de memória. O público também participou do lançamento de duas publicações.

O e-book Emergências em museus: proteção e salvamento de acervos, que reúne experiências sobre proteção de acervos em contextos de desastres climáticos, com base nos acontecimentos no Rio Grande do Sul. A obra foi organizada por Doris Couto, que esteve presente no lançamento. O material está disponível no site do ICOM Brasil (AQUI). 

O livro Manual de Práticas Antirracistas do Museu Imperial propõe uma reflexão sobre a decolonização dos espaços museais e o fortalecimento de práticas de enfrentamento ao racismo. A publicação, disponível somente na versão impressa,  foi apresentada pelo diretor do Museu Imperial e membro do ICOM Brasil, Maurício Vicente.

Para o presidente Diego Bevilaqua, o encontro buscou contemplar tanto os membros do ICOM Brasil quanto o setor museal de forma ampla, articulando pautas locais às discussões internacionais.

“O ICOM Brasil tem como tradição promover ações que, para além de seus membros, contribuam de forma ampla para o fortalecimento e o desenvolvimento do setor museal. Foi um momento importante para profissionais de museus, membros ou não, ao oferecer um espaço de debate centrado em pautas que conectam demandas locais à agenda internacional, possibilitando o encontro de diferentes vozes em um mesmo espaço.” – afirma Diego. 

Assembleia Geral

No período da tarde, o salão de eventos do Instituto Ricardo Brennand recebeu a Assembleia Geral do ICOM Brasil. Iniciada às 14h30, a reunião contou com a participação de associados e integrantes do Encontro Nacional, tanto presencialmente quanto por meio da plataforma Zoom.

Conduzida pelo presidente Diego Bevilaqua, a Assembleia Geral Ordinária contemplou a apreciação do relatório anual da Diretoria e das contas referentes ao exercício de 2025, além da aprovação da programação anual do ICOM Brasil e da deliberação sobre o ingresso de novos associados nas categorias individual e institucional.

Entre os principais destaques das atividades realizadas ao longo do ano estiveram o lançamento da Carta Brasileira do Patrimônio Cultural e Mudanças Climáticas; a participação da delegação brasileira na 27ª Conferência Geral do ICOM, em Dubai; o lançamento da versão impressa da obra História da Educação Museal no Brasil; a publicação do livro Re-conexões: Museus, governança e sustentabilidade na América Latina e no Caribe; e a realização do evento Cultura, Patrimônio e Mudanças Climáticas: um olhar a partir da América Latina, durante a COP30.

Na Assembleia Geral Extraordinária, o público presencial e online acompanhou a apresentação do projeto SAREC 2026, Ações antirracistas em museus: redes tecidas entre Brasil, América Latina e Caribe, conduzida pelo conselheiro Vinícius Monção. Outro destaque foi a apresentação preliminar da pesquisa do ICOM Brasil Revisitando Vozes, realizada pela conselheira Mariana Várzea.

Ainda como parte da programação, outros temas de interesse da associação foram debatidos. Na ocasião, o membro do ICOM Brasil e fundador da Rede Museologia Kilombola, Lucas Ribeiro, apresentou o projeto de criação de um espaço dedicado à preservação da história e da memória dos povos quilombolas.

Novidade na tela!

Nos momentos finais da Assembleia, os participantes puderam conhecer, em primeira mão, o novo site do ICOM Brasil. Com um layout mais moderno e dinâmico, a plataforma foi reformulada para proporcionar uma experiência de navegação mais intuitiva, acessível e agradável.

Durante o lançamento do site, Diego destacou a participação dos museus membros na construção do portal e agradeceu pelas contribuições recebidas:

“Quero agradecer aos nossos museus. Grande parte da beleza do site se deve aos museus membros do ICOM Brasil, que contribuíram voluntariamente com imagens de seus espaços e instalações”, afirmou. “Convido todos a visitarem o novo site.”

Presença ilustre

Pela primeira vez, a Assembleia Geral do ICOM Brasil contou com a participação presencial de um presidente do ICOM.

Durante a reunião, Antonio Rodríguez respondeu às dúvidas dos participantes e destacou a recomendação do ICOM para a revisão dos critérios de adesão de novos membros nos comitês nacionais, considerando a inclusão de profissionais independentes e a necessidade de tornar o processo mais acessível e menos burocrático.

Ao final, o presidente ressaltou a importância do diálogo e da construção coletiva de consensos no campo museal, enfatizando que diferentes perspectivas devem ser consideradas de maneira equilibrada nos processos de decisão.

“Quando estamos criando consenso, temos que ser flexíveis em entender que o mundo muda e que nossa posição como profissionais de museus e mesmo os museus, como instituições, também mudam. Nenhuma perspectiva deve prevalecer sobre a outra em um diálogo, mas deve-se criar um processo de reflexão e harmonia onde todas essas perspectivas estejam representadas de alguma forma. Essa é a mensagem que quero deixar: sejamos flexíveis.”  – disse Antonio. 

Antes do encerramento da reunião, a diretora do Instituto RB e conselheira do ICOM Brasil, Nara Galvão, foi homenageada em reconhecimento aos esforços do Instituto Ricardo Brennand para a realização da 6ª edição do Encontro do ICOM Brasil, em Recife.

Foco em 2027…

Reforçando o compromisso de ampliar a participação nos eventos do ICOM Brasil em diferentes regiões do país, a próxima edição do Encontro Nacional já tem destino definido. Em 2027,   7ª edição do evento será na região Norte do Brasil. 

Conteúdo na rede 

Em breve, o vídeo completo do VI Encontro do ICOM Brasil 2026 e da Assembleia Geral estará disponível em nosso canal do YouTube.

 

Fotos: Batucada Produtora