Foto: O presidente do ICOM durante sua apresentação no festival em Moscou./Créd.: Intermuseum BRICS+

Entre os dias 20 e 23 de maio, profissionais e gestores de diferentes países se reuniram em Moscou, na Rússia, para discutir tendências, desafios e inovações que vêm moldando o futuro dos museus em escala global. O presidente do ICOM Brasil, Diego Bevilaqua, participou da edição inédita do festival internacional dedicado aos países do BRICS+.

Com o tema “Museu — Território do Futuro”, o festival‘Intermuseum BRICS+ promoveu três dias de debates, palestras e atividades voltadas a temas como transformação digital, experiências imersivas, práticas artísticas e participativas, ampliação do engajamento social e aplicação de avanços científicos aos estudos museológicos.

Além de representantes dos países do BRICS+, o festival também contou com participantes da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e de outras regiões do mundo. 

“Percebi um forte interesse dos museus russos em diversificar suas parcerias internacionais, especialmente com os países do BRICS e com o continente africano”, destaca Diego Bevilaqua. 

 

Participação brasileira nos debates

Como parte da programação oficial, Diego Bevilaqua participou de quatro painéis que abordaram temas relacionados às tendências contemporâneas dos museus, à cooperação internacional, à diplomacia cultural e aos desafios enfrentados pelas instituições museais em um cenário global em constante transformação.

“No painel sobre tradição e inovação, apresentei algumas das principais tendências observadas nos museus brasileiros, como o uso de tecnologias digitais, a valorização do patrimônio imaterial, o fortalecimento das pautas de inclusão e diversidade. No debate sobre a nova geografia dos museus no contexto do BRICS+, destaquei a importância da diplomacia cultural, uma das prioridades do ICOM Brasil. Já no painel dedicado à América Latina, realizado em conjunto com outros três especialistas brasileiros, compartilhei o documento Reconexões, elaborado pelo ICOM LAC. Por fim, participei de um painel entrevista sobre as estratégias desenvolvidas pelos museus brasileiros para enfrentar períodos de instabilidade durante a COVID-19 e as mudanças políticas.” 

O painel dedicado à América Latina contou também com a participação de Paulo José Nascimento Lima, diretor do Museu Lasar Segall; Renata Cittadin, superintendente de Museus das Casas-Museu Históricas do Estado de São Paulo e membro do ICOM Brasil; e Viviane Wermelinger, chefe da Seção Técnica de Expografia do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP).

Na foto: Viviane Wermelinger, Renata Cittadin, Paulo José Nascimento e Diego Bevilaqua/ Créd.: Intermuseum BRICS+

Para Renata Cittadin, a atuação brasileira em eventos  internacionais é fundamental para ampliar a cooperação entre museus e dar maior visibilidade às perspectivas dos países do Sul Global.

“Foi uma oportunidade valiosa de diálogo com profissionais de museus de diferentes países do Sul Global. Acredito que a presença brasileira nesses fóruns é fundamental para compartilhar a diversidade das práticas museológicas do país e fortalecer o diálogo e cooperação internacional. Ao mesmo tempo, esses intercâmbios ampliam o aprendizado mútuo e contribuem para a construção coletiva de respostas aos desafios contemporâneos, reforçando o protagonismo dos países do Sul Global na construção dos museus do futuro.” 

Viviane Wermelinger também destacou a relevância estratégica de participar de circuitos internacionais:

“Nossa presença no festival foi muito além de uma simples troca acadêmica. Representou um verdadeiro ato de diplomacia cultural e reposicionamento geopolítico. Essa interlocução com potências emergentes nos permite construir redes de solidariedade técnica. Juntos, podemos compartilhar tecnologias de ponta adaptadas a realidades orçamentárias desafiadoras e fomentar ações que finalmente deem voz às narrativas do Sul.” – afirma

Para Diego Bevilaqua, um dos principais legados do encontro está na possibilidade de fortalecer relações duradouras entre instituições museais.

“As experiências compartilhadas durante o evento podem ajudar a construir pontes entre museus de diferentes países. Mais do que trocar experiências, o objetivo é criar oportunidades para futuras parcerias e projetos desenvolvidos em conjunto.”

Na mídia

Durante o evento, o presidente do ICOM Brasil, Diego Bevilaqua, concedeu entrevista ao canal russo RT, abordando temas como a proteção do patrimônio cultural, o combate ao tráfico ilícito de bens culturais e os desafios enfrentados pelos museus na contemporaneidade.

Confira a entrevista na íntegra,  clique aqui (disponível em espanhol).

Para mais informações, acesse o site oficial do Intermuseum.

Fotos/créditos: Intermuseum BRICS+